O Mar!
Cercando prendendo as nossas Ilhas!
Deixando o esmalte do seu salitre nas faces dos pescadores,
roncando nas areias das nossas praias, batendo a sua voz de encontro aos montes,
… deixando nos olhos dos que ficaram a nostalgia resignada de países distantes …
… Este convite de toda a hora que o Mar nos faz para a evasão!
Este desespero de querer partir e ter que ficar! …
— Poema do Mar, Jorge Barbosa

Dia 23 de novembro - Um dia histórico - Homenagem da Câmara Municipal de Mindelo

Neste 23 de novembro estamos relembrando a homenagem que a Câmara Municipal de Mindelo, fez ao Centro Espírita Amor e Caridade de Santos.
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"Sessão ordinária de 23 de novembro de 1911, ...por proposta do vogal Senhor Calasans, resolveu a Comissão Municipal, por unanimidade consignar nesta Acta, um voto de louvor ao prestante cidadão Senhor Augusto Messias de Burgos, representante da benemérita associação Amor e Caridade de Santos, pelos relevantes serviços que incontestavelmente tem prestado aos famintos na actual crise alimentícia, resolvendo-se mais que uma cópia desta deliberação seja remetida oficialmente ao dito cidadão."

Um século após o evento, se percebe nitidamente que em 23 de novembro de 1911, a Câmara Municipal de Mindelo, com tal homenagem ao Centro Espírita Amor e Caridade de Santos pela oferta generosa, e ao Cabo-verdiano Augusto Messias de Burgos por além de haver sido o braço forte do referido Centro, de forma magistral, entregou os alimentos de ilha em ilha, de mão em mão, fazendo com que os alimentos realmente chegassem aos famintos.

Luiz Thomaz encontrou seu lenitivo no Centro Espírita de Augusto Messias de Burgos , depois levou o Centro para sua casa - Por Antônio Cottas

De acordo com o livro Páginas Antigas - 1954, escreveu Antônio Cottas sobre Luiz Thomaz;

"desiludido, pois, dos tratamentos médicos que vinha fazendo, tratou-se e curou-se, mas ainda não estava satisfeito, a nostalgia permanecia embora o físico tivesse melhorado.

Com a frequência às sessões foi vindo a luz ao seu espírito e como que despertando de um sonho, começa a compreender a vida por um outro prisma, o foro íntimo acusa-o de que ainda não havia feito nada do que precisava fazer e para o que veio encarnar; as sessões passam a ser feitas em prédio seu mudando-se, portanto, o Centro."

Poder-se-ia dizer que Luiz Thomaz se curou no Centro Espírita do médium Augusto Messias de Burgos, seu agradecimento era tanto pelo conforto que recebeu, que o tornou testemunha real dos fatos, sua saúde ganhou novo alento, que lhe proporcionou um efetivo significado de vida.

Dessa maneira, acreditamos que apesar de sua fortuna material, sentiu-se seguro e confiante no futuro, mas precisava retribuir esse benefício que recebeu, enfim, sentiu-se na obrigação de multiplica-lo para muitos outros.

E demonstrou esse querer mais, pois é sabido, que as suas expensas, terminou por levar definitivamente o Centro Espírita que pertencia a Augusto Messias de Burgos, então situado a Rua Rangel Pestana 79, Vila Mathias, para sua casa na Rua Amador Bueno 190, Centro da Cidade de Santos, dessa forma ao ampliar o Centro e ao ser redigido o Estatuto de Regulamento Interno em 26 de Janeiro de 1910 - data atualmente conhecida como o dia da espiritualidade - pois, foi a data em que, além de Luiz de Mattos passar a ser o novo Presidente dessa entidade, que até então, era denominada Centro Espírita Amor e Caridade, foi denominada para Centro Espírita Amor e Caridade de Santos, sem demora o Senhor Luiz de Mattos reiniciou a doutrina espiritualista iniciada por Cristo, e o Senhor Augusto Messias de Burgos, junto de Luiz Thomaz, com outros, constituíram uma nova diretoria, e também se tornou o médium de confiança de todos.

Luiz Thomaz conheceu Luiz de Mattos no Centro Espírita de Augusto Messias de Burgos - Por Amélia Maria de Mattos Thomaz

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A maneira como como Luiz Alves Thomaz, conheceu Luiz de Mattos, relatado por Antonio Cottas no Livro "Assim surgiu o Racionalismo Cristão", difere do que relatou a esposa de Luiz Alves Thomaz, a Senhora Amélia Maria de Mattos Thomaz, no Livro: "Como e por que se tornou racionalista?", de Bernardo Scheinkman, publicado em 1934 e reeditado para a internet em 2004, mas em ambos relatos confirmam o encontro com Luiz de Mattos no Centro Espírita de Augusto Messias de Burgos.

... Tendo liquidado a casa comercial Thomaz, Irmão & Cia, em princípios de 1909, encontrava-se bastante desanimado e abatido moralmente, pois tinha grande dedicação e zelo por essa firma. Para distrair-se um pouco, ia todas as tardes, após o jantar, para a casa de um seu amigo íntimo, Manoel João Alves.

Em uma tarde de setembro de 1909, chegando à casa desse amigo, por ele não pôde ser atendido. Luiz Thomaz perguntou-lhe qual o motivo porque não podiam palestrar naquele dia, dizendo-lhe o seu amigo:

Vou a uma sessão espírita, (na casa de Augusto Messias de Burgos) onde estou tratando minha mulher, pois os médicos nada têm conseguido, e com o tratamento espírita já vai bem melhor da paralisia”. Luiz Thomaz quis acompanhar o seu amigo, indo à sessão referida.

Lá encontrou (na casa de Augusto Messias de Burgos) o Comendador Luiz de Mattos, pessoa que até essa data não lhe era simpática. Assistiu à sessão achando muita graça no que diziam os espíritos e compreendendo pouco do que se passava: só tinha vontade de rir-se.

Luiz de Mattos esclareceu o filólogo Julio Ribeiro no Centro Espírita de Augusto Messias de Burgos - Por Fernando Faria

Após o receituário e algumas instruções, o presidente Astral pede que se concentrem todos bem e dada uma comunicação em francês legível, livre de erros, causando sério espanto em Luiz de Mattos, é tanto, que este chegou a perguntar, após a sessão, se o médium tinha instrução, ...

Aqui vale observar que no livro "Assim surgiu o Racionalismo Cristão", neste ponto, antes do diálogo "Acalma-te" entre Padre Vieira e Luiz de Mattos, o narrador Antônio Cottas, leva o tema direto para a doutrinação de Ignácio de Loyola, mas no livro inédito de 1992, "A vida e a luta de Luiz de Mattos", o narrador Fernando Faria nos contempla com mais uma narrativa num dia anterior a de Ignácio de Loyola. ...

... Outro fenômeno de muita importância foi a manifestação de Júlio Ribeiro, o grande filólogo brasileiro, homem que considerava Luiz de Mattos o seu maior amigo. Júlio Ribeiro deixou o seu lar para ir desencarnar ao lado de Luiz de Mattos. Era livre-pensador e também não acreditava em coisa alguma, mas nessa sessão, o Padre Antônio Vieira atuou num dos médiuns dizendo:

— Luiz, pensa em alguém que foi teu amigo, pensa.


Luiz de Mattos disse:
— Está bem, já pensei.

De fato havia pensado em Júlio Ribeiro.

Júlio Ribeiro manifestou-se, sofredor, sem conhecer o seu estado, apesar de ter sido um grande espírito.

Júlio Ribeiro incorporado, observava as pessoas quando Luiz de Mattos pergunta-lhe:

As primeiras doutrinações de Luiz de Mattos foram no Centro Espírita de Augusto Messias de Burgos - Por Antônio Cottas

Segundo o Livro "Assim surgiu Racionalismo Cristão", uma das primeiras doutrinações de Luiz de Mattos, de que se tem notícias, praticamente, um diálogo de esclarecimento com o espírito obsessor Ignácio de Loyola, logo foi na casa de Augusto Messias de Burgos.

... No fim da "quarta" sessão que Luiz de Mattos, sem interrupção vinha presidindo, atua um espírito num dos médiuns ao lado dele e insulta-o barbaramente. Desconhecendo esse fenômeno e supondo fosse o médium o insultador, prepara-se para o devido revide, quando rapidamente fica atuado o outro médium, e falando-lhe Padre Antônio Vieira:
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— Acalma-te! Pois então não vês que o médium é um simples porta-voz dos espíritos? Como querias agir por essa forma, se no espírito não podias atingir?

— Tem paciência, estuda, eu te ajudarei; porém, é a ti que compete doutrinar, não só esse, como tantos milhares de outros que te irão aparecer, e assim precisa ajudar-me a limpar a atmosfera da Terra dos jesuítas que nela se tem quedado para a prática, ainda mais desenvolvida de crimes, que também já praticavam quando encarnados.

Acordaste tarde; era para aos 26 anos teres iniciado comigo estes trabalhos, mas já que despertaste agora, e foi preciso que te sacudisse o ataque cardíaco para te lembrares que a vida não desce à sepultura e sim ascende ao Espaço, a ligar-se a outras vidas, não podes mais perder tempo. Ajuda-me, pois, meu filho, estuda, e outros a ti se juntarão para levar por diante a bela doutrina de Cristo.

— Esse espírito que acabou de manifestar-se é Ignácio de Loyola, teu e meu companheiro em diversas encarnações. Há 400 anos que ele se queda na atmosfera da Terra, como terrível obsessor e chefe de grandes falanges.   Cabe a ti doutriná-lo e mostrar-lhe o erro em que vive.

Acalmado tudo e encerrada a Sessão, não mais faltou Luiz de Mattos aos trabalhos, nesse Centro, pobre materialmente falando, mas riquíssimo de luz, de inteligência, de saber, enfim.

Após estudar medicina, Luiz de Mattos encontrou a espiritualidade no Centro Espírita de Augusto Messias de Burgos - Por Antônio Cottas

Neste capítulo do memorial  - sesquicentenário - de Augusto Messias de Burgos, vale lembrar que o mesmo, sob a égide do guia Dr. Custodio Duarte, já atendia aos filhos de Luiz de Mattos,
dessa forma, além do médico Dr. Oliveira Botelho e do dentista Fonseca o conhecerem, se percebe nitidamente que seu pequeno centro espírita, já era uma referência na prática da espiritualidade na cidade de Santos antes de Luiz de Mattos lá chegar.

... Luiz de Mattos, acometido de um colapso cardíaco, esteve às portas da sepultura durante três dias e três noites, não vendo na sua frente mais que sete palmos de terra gélida, onde iria terminar o corpo.

... Melhorou ele, mas adoeceram seus filhos; o médico assistente, seu velho amigo Dr. Oliveira Botelho, aconselha-o a não lhes dar remédios e sim uma alimentação escolhida, pois era caso perdido, estavam tuberculosos e, se houvesse cuidado na alimentação, ainda poderiam prolongar a existência, mas por pouco tempo.

Entristecendo-se com o que o seu velho camarada lhe disse, retrucou-lhe Oliveira Botelho:


– Luiz, a medicina nada sabe, vive ainda de apalpadelas e suposições; eu, se não fosse diabético e ignorasse que estou para morrer dentro de meses, ia estudar o Espiritismo, pois lá algo de científico existe. ... Botelho confirmou o que dissera e aconselhou Luiz a estudar o espiritismo.

... Andam os tempos. Luiz de Mattos estuda medicina para curar os seus, e chega à conclusão de que o Dr. Botelho lhe dissera a verdade com respeito à medicina, pois, analisando o corpo humano pelo estudo anatômico, concluiu não passar este de uma série de engrenagens, tão artisticamente ligadas que à mais pequena molécula afetada, todo o organismo tinha de ressentir-se, e, assim sendo, o ser humano era anormal em maior ou menor grau.

A resposta que todos buscam! - Era desejo de meu pai... - Por Maria Luíza Cottas de Jesus

Era desejo de meu pai ter tudo narrado com seriedade. Infelizmente, faleceu sem alcançar tal objetivo.” Maria Luíza Cottas de Jesus

Assim respondeu a Senhora Maria Luíza Cottas de Jesus, neta de Luiz de Mattos, ao trocar correspondência com um estudioso Cabo-verdiano. Onde manifestou o desejo de seu pai Senhor Antônio Cottas de esclarecer o real início do espiritualismo que se iniciou na Cidade de Santos, batizada inicialmente de  Centro Amor e Caridade;

"Confirmo o que citei no “A Razão” de Junho de 1982, sob o título “Cartas que trazem Mensagens”, baseando-me no que me foi contado por Otelia de Mattos, sobrinha de Luiz de Mattos, portanto prima-irmã de minha mãe.

No que me foi contado, o Presidente do Centro Amor e Caridade, chamava-se Carlos Burgos.

... Era desejo de meu Pai ter tudo narrado com seriedade. Infelizmente, faleceu sem alcançar tal objetivo.

A sobrinha de Luiz de Mattos disse-me que quem estava à frente do “Amor e Caridade”, na ocasião da visita de Luiz de Mattos chamava-se Carlos Burgos, Senhor Cabo-verdiano.

Cabo-verdianos na América - Por Emmanuel Almada Santiago

No evento histórico em maio de 2017, que marcou a passagem dos 90 anos de fundação da Doutrina Racionalista Cristã nos EUA, diante de uma seleta assistência, de simpatizantes, militantes, representantes de outras filiais e da Casa-Chefe, o Presidente da Filial Providence e Representante do Racionalismo Cristão nos Estados Unidos, Senhor Emmanuel Almada Santiago, discorreu sobre a história dos Cabo-verdianos e a disseminação do Racionalismo Cristão nesse país.

Nos Estados Unidos, cabo-verdianos emigrantes fundaram o Racionalismo Cristão em 1927


De marinheiros a imigrantes e integração à sociedade americana. Segundo historiadores, desde o descobrimento das ilhas de Cabo Verde pelos portugueses, em 1460, seus habitantes procuraram outras paragens para fugir à seca e à fome. No início do século XVIII, os baleeiros americanos que navegavam pelo Atlântico Sul aportavam em Cabo Verde para se abastecerem de água e comida, mas também de homens conhecidos como bons marinheiros.

Foi assim que, no século XVIII, começaram a chegar os primeiros imigrantes das Ilhas a Pawtucket. Registros históricos indicam que, em 1840, mais de 40% dos caçadores de baleias de Pawtucket eram cabo-verdianos. Hoje, admite-se que existem cerca de 400 mil cabo-verdianos nos Estados Unidos, a grande maioria na Nova Inglaterra.

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As dificuldades enfrentadas pelos imigrantes, apesar de haverem alcançado perfeita integração à sociedade americana.

Augusto Messias de Burgos - Origem do Racionalismo Cristão em Cabo Verde - Jornal A Razão, Agosto-2017 - Por Orlando Medina

Orlando Medina, conselheiro da Filial Providence, fez palestra sobre a história do Racionalismo Cristão nos Estados Unidos, e foi buscar a origem das convicções dos imigrantes cabo-verdianos em seu país, desde os idos de 1911.

Disse Orlando Medina: “Estamos celebrando os 90 anos das primeiras casas racionalistas cristãs implantadas nos Estados Unidos, e não podemos deixar de rever um pouco o percurso histórico desta lindíssima Doutrina codificada pelo ilustre mestre Luiz de Mattos com colaboração de Luiz Thomaz, este humanista de incalculável valor, tanto na fundação quanto no percurso do Racionalismo Cristão.

Foi Luiz Thomaz que, em 1911, ao inteirar-se da dolorosa situação por que passava o povo de Cabo Verde, provocada pela dura e longa estiagem que assolara as ilhas, determinou, em acordo com o cabo-verdiano Augusto Messias de Burgos, médium seu amigo, enviar um barco carregado de alimentos de primeira necessidade.

O custo era vultoso, cerca de 61 contos réis, mas foram angariados apenas 14 contos de réis. Luiz Thomaz ofereceu os 47 contos de réis que faltavam para que a ajuda fosse realizada, como aconteceu, pelo que, tenho certeza, o povo dessas Ilhas estar eternamente gratos.

Limpeza Psíquica

O portador desses produtos e também de uma mensagem ao governador das Ilhas foi Augusto Messias de Burgos, que teve a missão de introduzir a doutrina racionalista cristã em Cabo Verde.

De Burgos fez um tão brilhante trabalho pela Doutrina em Cabo Verde que levou alguns padres católicos, que dominavam as Ilhas sob o regime colonial português, a abandonar as suas igrejas para exercer o espiritismo. Até mesmo o Cônego Teixeira chefe das igrejas católicas nessas ilhas abandonou o catolicismo e terminou como espiritualista e professor.

De Burgos, ao contatar Henrique Morazzo, fez com que este aceitasse o Racionalismo Cristão em toda a profundeza da sua alma. Ainda recordam os velhos seguidores desta Doutrina de Henrique Morazzo, nos seus grandes discursos, referir-se à luminosa frase do seu mestre e amigo Luiz de Mattos:

Tudo é movimento - Leis Naturais e Imutáveis - Por Augusto Messias de Burgos

Tudo é movimento. Desde o átomo invisível até aos corpos celestes perdidos no espaço, tudo está submetido ao movimento, tudo gravita em uma orbita imersa ou infinitamente pequena e cada um dos corpos diferentes, por uma razão de ordem muito natural, atrai, de conformidade com a sua natureza e conformação, os elementos necessários para sua sustentação e atividade.

A isto chamo vida das vidas, ou vida do Universo.

Ora, sendo o homem o mais perfeito ser de toda a criação, e, incontestavelmente, o único cujas propriedades de organismo oferecem qualidades adequadas às percepções de todas as faculdades, que subdividem e especializam-se em todos os ramos de conhecimentos humanos, conclui-se que cada

Origem do nome Burgos, a Cidade de Burgos e o grande El Cid

Origem do nome Burgos

Este sobrenome é muito comum na Espanha, vem do topônimo cidade de Burgos, famosa pelo seu passado histórico e de origem Castelhana, é capital da província do mesmo nome, vem da voz corrente, portanto do latim falado "Burgus", que significa aldeia, arrabalde ou bairro, que deriva da palavra germânica "burg", que significa aldeia.

Em nenhum caso é citado como primeiro nome, dessa forma se configura como sobrenome, sua origem é castelhana, atualmente difundido em toda a península Ibérica e Américas. São membros da linhagem de comprovada nobreza das Chancelarias Reais de Granada e Valladolid, bem como na Corte Real de Aragão.

O site Burgospedia ao publicar estes detalhes, teve como fonte o Índice da nobreza publicada por Dom Javier Cañadas, Arquivo Geral de Navarra e o Índice de nomes de linhagem de Burgos e hábitos de ordens militares.

"Las armas son: Cuartelado, 1º y 4º de gules, un castillo de oro, y 2º y 3º de azur, una flor de lis de plata. En el abismo, un escusón de oro con un águila de sable."

A cidade histórica de Burgos

A cidade dos príncipes e dos dragões” Oscar Esquivias

Primeiros Hotéis na Ilha de São Vicente - Cabo Verde

Segundo o investigador de História e História da Arte, ex-docente e escritor Senhor Joaquim Saial responsável pelo site Praia de Bote, o início do século XX era a época em que a iluminação local ainda dependia dos candeeiros Kitson, daqueles em que um operário os acende diariamente pelo entardecer e esse mesmo operário os apaga ao amanhecer.

Vale lembrar que o Professor Joaquim Saial se refere as notícias da “Folha de São Vicente” na seção do jornal "O Futuro de Cabo Verde"
de 02 de Julho de 1914, periódico que abordava horizontes e sonhos de modernidade para a cidade de São Vicente, dessa forma informou sobre a sessão da Câmara Municipal realizada algures na primeira metade de 1914 sobre a ideia de se substituir a iluminação pública vigente, do sistema Kitson, por uma rede elétrica.

A proposta foi assinada por Júlio Alves da Veiga, presidente da edilidade são-vicentina, e pelo vereador César Serradas, tinha apenas a finalidade de fazer com que se estudassem os meios de se tornar viável o projeto. Nessa mesma edição, a Folha de São Vicente lamentava o fato de se ter gasto muito dinheiro com o sistema de iluminação a acetileno e depois com os candeeiros Kitson, alegando que esse montante poderia ter sido aplicado à partida no moderno sistema elétrico de iluminação.

Duas pinceladas sobre a vida de Augusto Messias de Burgos – Por Martinho de Mello Andrade

O Ilustre cabo-verdiano, Augusto Messias de Burgos, nasceu em 12 de Julho de 1868, em Mindelo, Ilha de São Vicente, e desencarnou a 23 de Abril de 1945, na romântica Cidade de Santos-Brasil, portanto está-se no limiar dos seus 149 anos, após a sua encarnação.
Tão cedo emigrou para o Brasil, onde fez a sua vida futura, se casou com sua patrícia, Rita de Cássia Fortes com quem teve cinco filhos.

Como tudo está planeado, tudo tem a sua razão de ser, conforme nos ensina a Doutrina do Racionalismo Cristão, o que concordamos pelas nossas próprias conclusões, portanto não existem acasos, nem determinismos, nem coincidências, visto que tudo é regido pelas leis naturais que são imutáveis.

Augusto Messias de Burgos, espírita, de rara sensibilidade veio encontrar-se com o Comendador Luiz José de Mattos, Luiz Alves Thomaz e Manoel João Alves, numa sessão espírita na sua modesta casa, sita na Avenida Rangel Pestana nº 79, Vila Mathias, na cidade de Santos – SP, na qual era presidente físico, está claro que cultivava a linha kardecista, enquanto Padre António Vieira era presidente Astral, tendo este ordenado a passagem do Bastão a Luiz José de Mattos, que assumiu o comando com uma certa relutância, pois que era a primeira vez que assistia a uma sessão do género. Porém, o Comendador Luiz de Mattos, codificou a Doutrina do Racionalista Cristão, com cabeça, tronco e membros, não sobrando e nem faltando nada para o esclarecimento da humanidade, separando as águas de outras correntes espíritas, incluindo a Kardecista.

Dos Kardecistas, só ficou com Luis de Mattos, Leandro Francisco Gomes que se tornou um racionalista cristão de gema, prestando-lhe grande colaboração na Doutrina do Racionalismo Cristão.

Um Mindelo a Modernizar-se. Início do Século XX – Por Joaquim Saial

A I Guerra Mundial começou a 28 de Julho de 1914. Pouco antes, inaugurava-se no Mindelo o grande frigorífico conjunto das casas Lopes & C.ª e Madeira & C.ª e a Câmara Municipal pensava em substituir o antiquado sistema de iluminação Kitson pela electricidade.

Pelo meio, a mesma instituição acabava de deitar abaixo um pestilento e degradado urinol, vergonha da urbe que se queria limpa e renovada. São tudo notícias da "Folha de São Vicente", secção do jornal O Futuro de Cabo Verde, de 2 de Julho de 1914 , que mostram uma certa dinâmica de modernidade que percorria a cidade única de São Vicente, apesar das nuvens negras de morte e destruição que se avizinhavam no Mundo.

Urinol a abater

"Pois já não era sem tempo." Assim começava a nota sobre o urinol que se encontrava à entrada da cidade. Com notável sentido de humor, o articulista anónimo dizia que o tempo e a Câmara Municipal havia feito a meias o trabalho de derrube do equipamento:

"Esta [a CMSV], com medo de ofender aquele, foi esperando que ele, a pouco e pouco, como bom obreiro, se encarregasse da parte que lhe competia e depois um pouco envergonhada do seu descuido chegou lá e em dois dias, com um pedreiro, foi um ar que lhe deu."Referia o jornal que se soava que o Município de São Vicente pensava em substituir o desmantelado urinol por outro "em melhores condições de construção e mais facilidade de higiene" e perguntava, terminando: "Será assim?"

É quase certo que tal tenha acontecido. Pelo menos, o “plurim de virdura" (mercado de verduras) sempre teve uma casa de banho pública, à direita de quem entra pela porta da Rua de Lisboa e que curiosamente protagonizou perto dos meados dos anos 60 do passado século um episódio de milagroso aparecimento de petróleo."

São Vicente, o salto para a modernidade – Por Lucy Bonucci


Segundo o site Esquina do Tempo, numa histórica publicação dos principais momentos sobre a implantação da energia elétrica em São Vicente, Cabo Verde, assinado por Lucy Bonucci, uma das descendentes do armador italiano Gaetano Bonucci e depois Pietro Bonucci principal articulador da implantação da energia elétrica na ilha, dessa forma o compartilhamos.

São Vicente, o salto para a modernidade – Por Lucy Bonucci

Recuando no tempo, rebobinado o filme da história, fixando as datas mais marcantes, tudo começa com a descoberta de S. Vicente no dia 22 de Janeiro de 1462. Durante quase quatro séculos, a ilha manteve-se desabitada e durante muitos anos relegada ao esquecimento.

As várias tentativas de fixar gente na ilha, sempre se mostraram bastante difíceis, principalmente devido à endêmica falta de água. O que é hoje o Mindelo, não passava de um simples lugarejo onde os pescadores das ilhas vizinhas encontravam abrigo nas suas lides da pesca.

Segundo relatos da época, só em 1795 foi concedida a autorização para iniciar o seu povoamento, tendo então chegado os primeiros colonos a S. Vicente: vinte casais e cinquenta escravos, trazidos do Fogo. Uma dúzia de barracas e cabanas foram então erguidas no local onde hoje se localiza a Pracinha da Igreja, constituindo a Aldeia de Nossa Senhora da Luz.


Em 1819, não tendo São Vicente mais de 120 habitantes, o governador António Pusich, apercebendo-se das potencialidades do Porto Grande, traz mais 56 famílias de Santo Antão. Sonhando com a criação de uma cidade, rebatiza a povoação com o pomposo nome de vila Leopoldina.

Em 1838, a companhia inglesa East Índia estabelecia em São Vicente o primeiro depósito de carvão, ao mesmo tempo que, na metrópole o Marquês de Sá da Bandeira decretava que a povoação na baía do Porto Grande adotasse o nome de Mindelo.